A prevenção de quedas pode ser enganosamente difícil e com a enorme quantidade de informações disponíveis, pode ser difícil saber por onde começar. É por isso que criámos esta Base de Conhecimentos sobre Prevenção de Quedas. Aqui poderá encontrar dicas e recomendações práticas para ajudar a evitar quedas no seu hospital. Para leitura posterior, também incluímos uma lista de recursos fiáveis com mais diretrizes e ferramentas que irão permitir-lhe, juntamente com a sua equipa, lutar contra as quedas.

Sensibilização para a prevenção de quedas

Como a percentagem de população idosa está a aumentar rapidamente, também tem aumentado o número de lesões relacionadas com quedas. As pessoas com 65 anos e mais velhas são consideradas o maior grupo de risco de queda, sendo que um terço destas pessoas já teve uma queda por ano.¹

Apesar de os custos serem elevados para estes doentes em termos de sofrimento, dor e perda de independência, o impacto económico direto relacionado com as quedas é colossal. De acordo com as diretrizes NICE de 2013², julga-se que as quedas custam 2,3 mil milhões de libras por ano ao SNS do Reino Unido. Tendo em conta que as pessoas idosas que vivem em lares de idosos caem com mais frequência do que aquelas que vivem na comunidade³, a importância económica das quedas é verdadeiramente surpreendente.

Estatísticas do Reino Unido e dados de pacientes idosos que estão caindo em hospitais::

UK data of older patients falling in hospital


Referências

¹ National Institute for Health and Care Excellence, Action needed to reduce hospital falls: a 'one size fits all' approach will not work, June 2013, Available at: http://www.nice.org.uk Accessed April, 2016
² National Institute for Health and Care Excellence. Falls: assessment and prevention of falls in older people. June 2013, Available at: http://www.nice.org.uk/guidance/cg161 Accessed 8 June, 2015
³ WHO Global Report on Falls Prevention in Older Age. World Health Organisation 2007

Avaliação de risco dos doentes

Os profissionais de saúde devem avaliar e identificar os doentes com risco de queda e avaliar as melhores opções para ajudar a evitar quedas.

Idade

De acordo com o NICE, as pessoas com 65 anos e mais velhas são consideradas como o grupo com maior risco de queda¹. Cerca de um terço desta população irá ter pelo menos uma queda em casa durante o ano e cerca de metade deste grupo terá quedas mais frequentes. Em indivíduos com idade superior a 75 anos, as quedas são a causa mais comum de mortes relacionadas com lesões no Reino Unido.

Historial de quedas

Outro fator de risco crítico é um historial de quedas, particularmente se ocorreram quedas nos últimos seis meses. As quedas anteriores são um dos fatores de previsão mais fiáveis de futuras quedas.

Incontinência

Os problemas de eliminação são, também, um fator crucial, especialmente se a pessoa for relativamente móvel e independente, mas sofrer de incontinência urgente ou frequente. As idas frequentes à casa de banho, especialmente à noite, muitas vezes levam a quedas. Outros fatores de eliminação tais como o uso de cateteres urinários e de ostomia podem constituir risco de queda acrescido.

Medicamentos

Todas as unidades de saúde devem ter uma lista de medicamentos que podem contribuir para quedas, incluindo sedativos, ansiolíticos, antidepressivos, psicotrópicos, anestésicos, anti-histamínicos, agentes hipoglicémicos, diuréticos e narcóticos. Qualquer doente que tenha sido alvo recente de intervenção cirúrgica ou médica com sedação, geralmente, deve ser considerado de alto risco de queda no período de 24 horas pós-intervenção ou até que a pessoa recupere o seu nível de consciência padrão.

Equipamentos destinados aos cuidados do doente

Outro fator fundamental é a presença de qualquer equipamento de tratamento do doente que prenda o doente a um local ou restrinja o seu movimento. Estes equipamentos podem ser: Cateteres IV, hastes de suporte de soro e bombas; cateteres de todos os tipos, equipamento de ostomia não portátil, sondas alimentares, tubos torácicos, equipamentos de ventilação, máscaras de oxigénio ou cânulas e ligações a monitores.

Mobilidade

Inclui se o doente necessita de assistência para andar ou de um dispositivo de mobilidade como por exemplo um andarilho ou bengala. Além disso, a marcha da pessoa deve ser avaliada, para detetar se é instável, arqueada, oscilante, ou instável.

Calçado

O calçado mal ajustado pode contribuir para quedas. Um número significativo de pessoas mais velhas caem todos os anos por causa do calçado que não se adapta muito bem ao pé ou deixa de ser seguro devido ao desgaste. Os doentes devem usar calçado corretamente ajustado. Os prestadores de cuidados de saúde podem considerar meias grossas antiderrapantes para doentes com calçado inadequado quando dão entrada no hospital ou se não for possível fornecer ou colocar calçado. Estas meias também podem ser a melhor opção se o doente se deslocar durante a noite ou se não estiver a cooperar com o calçado recomendado.

Deficiência visual ou auditiva

Outras questões de mobilidade podem incluir deficiências visuais ou auditivas que podem afetar o movimento ou provocar uma falta de consciência do ambiente ou dos seus perigos.

Estabilidade mental

O risco de queda aumenta se a pessoa for emocionalmente impulsiva, tiver tendência para ficar confusa ou desorientada, se teve um AVC ou se lhe tiver sido diagnosticada uma doença que pode afetar o estado mental e psicológico, por exemplo a doença de Alzheimer, Parkinson ou demência.




Referências

¹ National Institute for Health and Care Excellence, Action needed to reduce hospital falls: a 'one size fits all' approach will not work, June 2013, Available at: http://www.nice.org.uk Accessed April, 2016

Avaliação de risco ambiental

As unidades de saúde devem avaliar e identificar os ambientes que possam provocar quedas nos doentes. Sempre que entrar numa sala, esteja atento aos fatores que possam tornar o ambiente inseguro (objetos espalhados, derrames, fios ou tubos).

Pavimentos

Os pavimentos devem ter superfícies mate e antiderrapantes e ser limpos com cera antiderrapante. Todos os quartos dos doentes devem ter o caminho desimpedido para as casas de banho. Regra geral, o chão não deve ter objetos espalhados.

Iluminação

Um dos fatores ambientais mais importantes a inspecionar é a iluminação nas instalações. Os interruptores de luz devem estar acessíveis antes de entrar num quarto. A luminosidade deve ser eliminada, incluindo a luz natural que entra pelas janelas. Além disso, a iluminação em áreas perigosas, tais como escadas e corredores, também deve ser analisada.

Camas dos doentes

Os colchões devem ser extra firmes nas laterais, para permitir que o doente se sente de forma segura e seja mais fácil transferi-lo para dentro e fora da cama. Os botões de chamada devem estar facilmente acessíveis e as camas devem ser configuradas corretamente com base no risco de queda individual do doente (pondere o uso de grades na cama, elevação em altura e o uso de proteções no chão).

Quartos dos doentes  

Avalie a restante mobília do quarto dos doentes, incluindo cadeiras e mesas de cabeceira. Evite móveis com rodas e certifique-se de que as cadeiras permitem que o doente se levante e sente facilmente.

Casas de banho

As portas das casas de banho devem ser suficientemente largas para a passagem de andarilhos e cadeiras de rodas. O pavimento das casas de banho deve ter tapetes antiderrapantes ou tiras para ajudar a colocar os pés de forma segura e o pessoal deve garantir consistentemente que os pavimentos estão secos. As barras de apoio devem estar bem fixadas e posicionadas logicamente para ajudar alguém a entrar no quarto, a entrar ou a sair da banheira ou do duche e a levantar-se da sanita. Se necessário, podem ser usados tampos de sanita elevados para pessoas com risco de queda.

Escadas

As escadas também devem ser inspecionadas. Os corrimãos devem estar bem fixados em ambos os lados. A superfície dos degraus deve ser antiderrapante e os limites devem estar assinalados de alguma forma, por exemplo com uma fita ou tinta branca ou através da colocação de fita refletora. As escadas também deve estar desobstruídas de qualquer equipamento.

 

Elevadores

Se a unidade tiver elevadores, o chão do elevador deve estar nivelado com o corredor. A sua superfície também deve ser antiderrapante. A porta deve ser suficientemente larga para a passagem de andarilhos e cadeiras de rodas e o botão de paragem de emergência e o telefone dentro do elevador devem estar claramente assinalados e ser fáceis de alcançar.

Formação dos doentes e familiares

Assim que o risco de queda da pessoa tenha sido identificado, é importante dar formação ao doente e à sua família sobre os riscos e como reduzir a sua ocorrência. As intervenções e uma comunicação adequada com os doentes ou residentes e membros da família podem diminuir o risco de quedas. Explique-lhes por que motivo estão em risco de cair e o que a unidade de saúde está a fazer para mantê-los em segurança.

Dê formação ao doente

Explique ao doente os seus fatores de risco e qualquer informação específica de que o mesmo possa precisar, como por exemplo estar atento a tonturas provocadas por medicação, doença ou fraqueza na sequência de uma intervenção. Se necessário, explique à pessoa que pode ficar na cama e usar o botão de chamada para pedir ajuda antes de sair da cama, por exemplo se precisar de ir à casa de banho. Sugira também ao doente que use calçado adequado ou que não ande descalço, para ajudar a garantir uma maior aderência ao chão.

Se conseguirem deambular sem ajuda, sugira que se sentem em posição vertical durante 10 segundos na beira da cama antes de se colocarem de pé. Além disso, é importante dizer ao doente que nunca deve tentar apoiar-se em material rolante, como por exemplo uma haste IV. Além disso, fale sobre o uso de grades na cama e quaisquer outros dispositivos de proteção. Se estes tiverem de ser ajustados, o doente deve chamar o enfermeiro para ajudar a fazer as alterações e nunca tentar fazê-lo sozinho.

Dê formação à família

Discuta o plano de cuidados com os membros da família com base no risco de queda do doente. Informe-os sobre o risco de lesões provocadas por uma queda e partilhe com eles o que podem fazer para ajudar a diminuir a ocorrência de quedas enquanto o doente estive na sua unidade de saúde. Tente dotar o doente e os seus familiares de recursos e apoio, informe-os de que alguém vai estar a verificar com frequência para avaliar todas as necessidades que possam ter.

Se acontecer uma queda, comunique sempre à família e notifique-a de quaisquer lesões suspeitas ou confirmadas. Isso ajudará a criar um nível de respeito entre o pessoal da instalação e a família. É fundamental tranquilizar o doente e a família que a sua unidade de saúde está a cuidar deles.

Também pode transmitir alguns pontos-chave em cada visita para que possam entender o risco de queda e as precauções de segurança. Finalmente, deve ser capaz de esclarecer qualquer confusão e responder a quaisquer perguntas que possam ser feitas.


Recomendações

Um programa de prevenção de quedas bem sucedido deve ser sistemático e as regras e responsabilidades individuais na prevenção de quedas devem ser claramente entendidas pela equipa. Dar formação e motivar a equipa irá ajudar a criar uma cultura de responsabilidade e segurança dentro da organização. É importante fornecer ao pessoal ferramentas de prevenção de quedas para ajudar a apoiar as suas iniciativas para aumentar a sensibilização e reduzir as quedas na unidade de saúde. Os componentes de formação necessários para a prevenção de quedas devem ser incutidos nos novos trabalhadores, bem como as competências anuais de todos os funcionários. Dê formação regular à sua equipa para criar um ambiente que irá melhorar a qualidade de vida dos doentes.

Motive a equipa

  • Ajude os membros da equipa a identificar áreas consideradas de alto risco de queda
  • Implemente formações e atividades de aprendizagem para o pessoal
  • Certifique-se de que a prevenção de quedas consta da ordem de trabalhos das reuniões do pessoal como tema de rotina a ser discutido entre todos os colaboradores (partilhar dados, pedir recomendações para melhorar o programa)

Ferramentas de prevenção de quedas

Informe o pessoal sobre as ferramentas de prevenção de quedas que são específicas do programa de prevenção de quedas da unidade de saúde, por exemplo:

  • Ferramenta de recolha de informação final ou ferramenta de investigação: usadas para entrevistar os funcionários que podem ter estado presentes quando aconteceu a queda. Reúne dados que podem ser usados em futuras necessidades educativas da equipa e funcionários em geral
  • Rondas de conforto/ferramentas de roda: quando os doentes são verificados com frequência; as necessidades dos doentes são mais bem atendidas. As rondas de hora a hora são essenciais para ajudar a evitar quedas
  • Ferramenta de painel: usada para ajudar a monitorizar o que está a acontecer na unidade de saúde no que toca a quedas, do passado até ao presente, e ajudar a equipa a implementar, planear e melhorar os cuidados para o futuro
  • O alarme da cama é frequentemente usado para alertar o pessoal sobre movimentos significativos na cama que poderia levar a uma queda 
  • Equipamento pessoal, inclusive colocar o urinol ao alcance do doente
  • Uso de meias antiderrapantes

Recolha de informação final

Depois de acontecer uma queda, o enfermeiro deve:

  • Entrevistar o doente assim que possível
  • Avaliar a condição clínica e o fator de risco
  • Investigar possíveis fatores ambientais que possam ter contribuído para a queda
  • Avaliar equipamentos
  • Definir/implementar intervenções adequadas aos objetivos do doente/padrão de prática
  • Entrevistar o pessoal
  • Documentação
  • Monitorizar/avaliar o impacto das intervenções
  • Rever as intervenções

Implementar um protocolo de sugestões visuais

A prevenção de quedas é responsabilidade de todos, mas como é que a sua equipa pode participar na luta contra as quedas sem saber a que pessoas devem estar atentos? Escolha produtos com uma cor viva, como o amarelo, para ajudar os cuidadores a identificar, de forma rápida mas discreta, os doentes com alto risco de queda.

Através das sugestões visuais, os enfermeiros, auxiliares de saúde, porteiros, cuidadores, pessoal de catering podem todos ter um papel importante na redução do número de quedas de doentes. O amarelo é a cor mais comummente usada na identificação de doentes de alto risco, a Medline desenvolveu uma linha exclusiva de produtos de prevenção de quedas em amarelo para ajudá-lo a introduzir facilmente um protocolo de sugestões visuais no seu hospital.

Referências

NHS Improvement - Patient falls improvement collaborative: 

Royal College of Physicians:

NICE clinical guideline:

HOPE - European Hospital and Healthcare Federation:

WHO – World Health Organization:

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